Política
10/06/2026
O ex-prefeito de Natal Álvaro Dias (PL) voltou a rechaçar a tese de que entregou o município quebrado para a gestão de Paulinho Freire (União Brasil). Em entrevista à rádio 96 FM, o político jurou que o dinheiro deixado em conta superava as contas a pagar.
A fala joga gasolina na fogueira da transição de governo. O Relatório Técnico Conclusivo da Comissão de Transição apontou um passivo de R$ 862,9 milhões em restos a pagar, além de 46 obras totalmente paradas na capital.
O fato curioso é que o documento enviado ao TCE (Tribunal de Contas do Estado) foi assinado por Joanna Guerra (PL). Ela atuou como secretária de Planejamento de Álvaro e hoje ocupa a cadeira de vice-prefeita de Paulinho.
“Não havia esse passivo não”, cravou o ex-prefeito. Ele completou dizendo que fez reuniões com contadores antes de sair e intimou a antiga aliada a defendê-lo: “Está aí Joanna Guerra, que pode comprovar”.
A papelada oficial, contudo, conta uma história bem diferente e indigesta. Dos R$ 862,9 milhões devidos a fornecedores e prestadores de serviço, R$ 349,8 milhões já estavam empenhados e processados, restando apenas a quitação.
Os dados bancários de dezembro de 2024 também relativizam o otimismo de Álvaro. O caixa municipal exibia R$ 1,424 bilhão, mas robustos R$ 1,160 bilhão pertenciam ao fundo exclusivo do NatalPrev (Instituto de Previdência Social dos Servidores do Município de Natal). Sobrou apenas R$ 259,6 milhões livres para a prefeitura quitar as demais despesas.
Obras travadas: 46 projetos paralisados nas áreas de Educação, Infraestrutura e Serviços Urbanos.
Ajuste fiscal: Paulinho Freire precisou cortar jetons, gratificações e diárias logo no primeiro dia útil de 2025 para frear o rombo.
Durante o ano de 2025, a nova administração conseguiu pagar R$ 627,5 milhões e cancelar outros R$ 68,17 milhões do estoque de dívidas antigas. Mesmo com o esforço, o ano terminou com R$ 429,57 milhões pendentes de pagamento.
A discussão ganha contornos de cabo de guerra eleitoral porque Álvaro Dias planeja usar sua eficiência administrativa como vitrine para disputar o Governo do Estado. Até o momento, a vice-prefeita Joanna Guerra não se pronunciou sobre o choque entre sua assinatura no relatório técnico e a fala do antigo chefe.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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