Política
23/07/2026
A tentativa de vestir Flávio Bolsonaro com um figurino de candidato moderado sofreu um abalo daqueles.
Desde que foi lançado pelo pai, Jair Bolsonaro, à Presidência da República, o senador vinha sendo apresentado como uma versão mais comedida do bolsonarismo, numa estratégia para reduzir resistências no eleitorado de centro e facilitar pontes com partidos do Centrão. Bastou, porém, uma palestra para embaixadores, em Brasília, na qual voltou a lançar dúvidas sobre a confiabilidade das urnas eletrônicas, para a fantasia cair.
A repercussão foi imediata. O PT de Lula aproveitou o episódio para decretar o fim do discurso da moderação e passou a tratar o senador do PL como uma reprodução política do pai.
No Centrão, potenciais aliados classificaram a declaração como um erro estratégico. Além de ressuscitar um tema que consideravam superado, Flávio adotou um discurso visto como derrotista antes mesmo de a campanha começar.
O episódio também reacendeu as inevitáveis comparações com Jair Bolsonaro. Em 2022, o então presidente atacou o sistema eleitoral diante de embaixadores e acabou condenado pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder político, tornando-se inelegível.
Agora, embora o presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, considere as declarações de Flávio menos graves do que as feitas pelo pai, ministros do Supremo Tribunal Federal e dirigentes partidários enxergaram uma guinada que distancia o senador do perfil moderado apresentado nos últimos meses.
Flávio até que tentou. Mas, ao voltar a bater na tecla das urnas eletrônicas, acabou mostrando ao eleitor — e aos possíveis aliados — que não há espaço para moderação no bolsonarismo.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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