Brasil rebate tarifaço dos EUA e promete dar o troco com a Lei da Reciprocidade

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Ricardo Stuckert/PR
Em nota oficial, o Planalto declarou que o anúncio "passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável".

Economia

16/07/2026

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu com forte indignação à confirmação da sobretaxa de 25% sobre produtos nacionais pelos Estados Unidos. Em nota oficial, o Planalto declarou que o anúncio "passará para a história das relações entre Brasil e EUA como um marco lastimável" e prometeu retaliar politicamente.

Como resposta direta ao tarifaço, a gestão federal informou que utilizará as ferramentas da Lei de Reciprocidade para taxar produtos norte-americanos. A medida punitiva de Washington entra em vigor em 22 de julho, após decisão do USTR (Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos).

"O governo brasileiro repudia a decisão anunciada hoje pelo governo dos EUA relativa à imposição de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. [...] Não há justificativa para medidas unilaterais contra o nosso país", frisou a Presidência da República.

O Planalto lembrou que os Estados Unidos acumulam um saldo positivo de US$ 424,5 bilhões no comércio bilateral nos últimos 15 anos. Além disso, a nota pontua que a maioria dos produtos norte-americanos entrava livre de impostos no mercado brasileiro.

O comunicado oficial rebateu as acusações de Washington sobre preservação ambiental e regulação de redes sociais, além de blindar o sistema de pagamentos instantâneos nacional. "O Pix é um patrimônio do nosso povo e referência internacional de infraestrutura pública digital", defendeu o texto.

A estratégia brasileira de defesa se dividirá em três eixos: diversificação de parceiros comerciais, ajuda financeira a setores nacionais afetados e o acionamento da OMC (Organização Mundial do Comércio). Para amparar a indústria local e salvar empregos, o governo usará as diretrizes do Plano Brasil Soberano.

O Planalto também aproveitou o momento para fazer duras críticas à oposição brasileira, associando a barreira tarifária à atuação política do clã do ex-presidente Jair Bolsonaro. O texto aponta que o processo de investigação comercial nos Estados Unidos contou com o apoio de opositores internos.

"São falsos patriotas que arquitetaram e defenderam publicamente ações contra o nosso país, movidos por objetivos eleitoreiros. Proteger a nossa soberania é uma obrigação que está acima de todos os partidos e todas as tendências", atacou o governo federal.

As novas tarifas de 25% serão somadas aos impostos de importação que já existem no mercado americano. Ficam livres da barreira apenas os produtos embarcados antes do dia 22 de julho, com chegada confirmada em solo norte-americano até o dia 29 do mesmo mês.

Embora itens como aviões, café solúvel e couros tenham obtido isenção, diversos setores industriais importantes do Brasil sofreram o bloqueio total. Pedidos de isenção para calçados, máquinas agrícolas, papel e aço foram sumariamente negados pelas autoridades americanas.

Diogenes dantas ao centro da imagem vestido de terno preto, ele sorri.

Diógenes Dantas

é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.

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