Economia
20/02/2026
Por mais que sustente que o Rio Grande do Norte está hoje em situação muito melhor do que a encontrada em 2019, a governadora Fátima Bezerra enfrentará forte cobrança sobre a real saúde financeira do Estado.
Ontem, o jornal O Estado de S. Paulo informou que o RN e outras seis unidades da federação iniciaram 2026 no chamado “cheque especial”, sem recursos em caixa para quitar despesas herdadas de 2025 e assumir novos compromissos no último ano de mandato.
De acordo com os Relatórios de Gestão Fiscal (RGF) do último quadrimestre de 2025, enviados ao Tesouro Nacional em 31 de janeiro, o RN aparece com R$ 3 bilhões negativos em recursos não vinculados — aqueles sem destinação obrigatória por lei.
O número coincide com os dados apresentados pelo próprio governo antes do carnaval, quando Fátima reuniu a imprensa para um café da manhã.
Eis os dados oficiais:
Em 2025, a dívida financeira líquida somou R$ 3,4 bilhões — R$ 100 milhões a menos do que o estoque registrado em 2018, quando a petista assumiu o governo —, o equivalente a 17,68% da Receita Corrente Líquida (RCL), indicador que mede o que resta após as principais deduções.
A área econômica projeta encerrar o ano com a dívida abaixo de 15% da RCL. Pode ser otimismo de economista.
Quando o assunto é dívida consolidada com precatórios, porém, o cenário muda de escala: R$ 9 bilhões no ano passado, o que corresponde a 46,41% da RCL.
Sem os precatórios, a dívida consolidada recua para R$ 3,7 bilhões — 19,06% da Receita Corrente Líquida.
Em 2019, Fátima encontrou quatro folhas salariais em atraso e despesa com pessoal na casa de 63,64% da RCL.
Hoje, segundo o governo, o comprometimento com pessoal está em 56%, com um trunfo político evidente: salários em dia. A projeção é fechar o ano na faixa dos 54%.
São números superlativos — dívida bilionária, percentuais elevados — que tendem a render dividendos eleitorais à oposição e desconforto ao governo petista.
Boa parte da população não entende e não acompanha os meandros da contabilidade pública, o que abre espaço para narrativas de todas as cores do espectro político.
De um lado e do outro.
é um jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UNP, atuou em vários veículos importantes locais e nacionais (Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e rádios 96 FM, 98 FM e 91.9 FM). Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN. Foi coordenador de comunicação da Potigas, e assessor da presidência da Petrobras.
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