Economia
22/09/2026
O Conselho Estadual do Meio Ambiente (Conema) aprovou nesta segunda-feira (21) a resolução que estabelece regras para o licenciamento ambiental de data centers no Rio Grande do Norte. A norma, que deverá ser publicada nesta semana, permitirá ao Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) iniciar a análise dos projetos.
O regulamento cria cinco categorias de porte, conforme a demanda de energia, e prevê Relatório Ambiental Simplificado (RAS) para empreendimentos de qualquer tamanho. Para estruturas de grande porte e excepcionais com sistemas abertos de refrigeração, serão exigidos estudos mais complexos, incluindo Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto Ambiental (EIA-Rima).
Segundo o presidente do Conema e secretário estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Paulo Varella, a medida busca conciliar investimentos e proteção ambiental. “Nós abrimos aí um novo horizonte de possibilidades de desenvolvimento para o RN, trabalhando com agilidade e segurança ambiental”, afirmou.
Cinco categorias de porte
A resolução classifica os data centers de acordo com a potência energética instalada:
Microporte: até 20 megawatts (MW).
Pequeno porte: acima de 20 MW até 50 MW.
Médio porte: acima de 50 MW até 100 MW.
Grande porte: acima de 100 MW até 500 MW.
Porte excepcional: acima de 500 MW.
A proposta foi elaborada ao longo de mais de um ano e pretende oferecer parâmetros para empreendedores e para o órgão ambiental.
Refrigeração e consumo de água
Um dos principais pontos da regulamentação é a diferenciação entre sistemas fechados e abertos de refrigeração. Nos modelos fechados, o fluido utilizado no resfriamento circula em um circuito, reduzindo a necessidade de reposição de água.
Já os sistemas abertos, associados a grandes torres de resfriamento, podem exigir volumes maiores do recurso hídrico. O diretor-geral do Idema, Werner Farkatt, afirmou que os projetos procurados até o momento no estado utilizam sistemas fechados.
“Aqui no RN, até o momento, o que tem sido procurado são os sistemas fechados".
O licenciamento por RAS será aplicado independentemente do porte, segundo a resolução. Para os projetos de grande porte e excepcionais que utilizem sistemas abertos, a exigência de EIA-Rima será adotada em razão do potencial impacto sobre os recursos hídricos.
RN busca espaço no mercado regional
O relator da proposta no Conema, Kepler Brito, representante da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Norte (OAB/RN), afirmou que as regras aproximam o estado das condições oferecidas por concorrentes regionais.
“Acredito que o Rio Grande do Norte entrou aí no mercado e a gente permite hoje sistemas fechados de refrigeração com regras parecidas com nossas principais concorrentes, o Ceará e a Paraíba”, declarou.
Paulo Varella citou a disponibilidade de energia como uma vantagem do estado, mas reconheceu a necessidade de considerar a limitação hídrica do semiárido.
“O RN, apesar de estar no semiárido, tem uma produção de energia muito grande e tem uma carência hídrica. Todavia, a tecnologia hoje permite que os data centers já não precisem mais usar muita água, quase nada, porque trabalha em um circuito fechado”, disse Varella.
Incentivos federais e ICMS
A aprovação da norma ocorre poucos dias após a sanção da Lei nº 15.504, de 15 de setembro, que instituiu o Regime Especial de Tributação para Serviços de Datacenter (Redata).
O programa federal prevê incentivos fiscais para instalação e ampliação de data centers, com contrapartidas relacionadas à pesquisa, desenvolvimento, eficiência hídrica e sustentabilidade. Empreendimentos nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste terão redução de 20% em duas das principais contrapartidas previstas.
No Rio Grande do Norte, também está em discussão a possibilidade de redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) para equipamentos de infraestrutura de tecnologia da informação destinados aos data centers. A proposta depende de análise do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz).
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
ver mais
Receba notícias exclusivas