Economia
22/09/2026
A carteira de crédito do Rio Grande do Norte alcançou R$ 72,2 bilhões em junho, após crescer 10,8% em 12 meses. O avanço superou a média nacional, de 9,7%, mas ficou abaixo dos 11,5% registrados no Nordeste.
Os dados foram levantados pelo Escritório Técnico de Estudos Econômicos (Etene), do Banco do Nordeste (BNB), com base no Sistema de Informações de Crédito do Banco Central.
Do total, R$ 53,4 bilhões estavam vinculados a pessoas físicas, equivalentes a 73,9% da carteira. Os outros R$ 18,8 bilhões correspondiam às operações de pessoas jurídicas.
O avanço de 10,8% foi o sexto maior entre os estados nordestinos. Entre as famílias, financiamento habitacional, crédito consignado e crédito pessoal estão entre as modalidades que ajudam a explicar o volume.
O consignado somou R$ 13,02 bilhões em junho, enquanto o crédito pessoal alcançou R$ 10,39 bilhões. Segundo Robespierre do Ó, parte do movimento pode estar relacionada à expansão do mercado imobiliário.
Na prática, a compra de um imóvel também pode gerar despesas não cobertas pelo financiamento habitacional, como entrada e registro. Nesses casos, famílias podem recorrer a outras modalidades de crédito.
Dos R$ 18,8 bilhões destinados às pessoas jurídicas, R$ 10 bilhões estavam concentrados no setor de serviços, equivalente a 53,3% da carteira empresarial. A indústria apareceu em seguida, com R$ 8,5 bilhões, ou 45,3%.
A agropecuária somou R$ 274,5 milhões e representou 1,5% do crédito destinado às empresas. O gerente do Etene/BNB, Allisson David de Oliveira Martins, relaciona a expansão empresarial a decisões de investimento.
“Quando um empresário quer fazer uma ampliação do seu negócio, como modernização e diversificação de produtos, isso passa por uma decisão financeira. Então as empresas naturalmente buscam o mercado de crédito para financiamento”, explica.
Martins também aponta a redução da taxa de desocupação e o aumento da renda como fatores que podem ampliar o mercado consumidor. Com maior expectativa de demanda, empresas podem buscar financiamento para equipamentos, instalações e expansão.
A Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern) associa o crescimento da carteira industrial aos investimentos em infraestrutura energética e construção. O presidente da entidade, Roberto Serquiz, citou projetos de energia renovável e o mercado imobiliário de Natal.
“O Estado continua atraindo recursos para projetos de energia renovável, enquanto o mercado imobiliário de Natal também apresenta crescimento. A esse movimento se soma a atuação dos bancos públicos, com linhas direcionadas à indústria e à infraestrutura, além da própria expansão do crédito para pessoas jurídicas observada no país. A forte concentração do crédito industrial em eletricidade e gás é compatível com esse ciclo de investimentos e reforça a importância do setor energético para a economia potiguar”, disse Serquiz
Projetos de geração de energia exigem volumes elevados de capital e costumam recorrer a financiamentos de prazo mais longo. A construção também movimenta o crédito empresarial e pode ampliar a procura das famílias por financiamento imobiliário e empréstimos complementares.
A agropecuária movimentou R$ 274,5 milhões na carteira empresarial, mas a Federação da Agricultura e Pecuária do Rio Grande do Norte (Faern) alerta que o percentual não representa todo o crédito destinado ao campo.
Parte dos produtores contrata operações como pessoa física e aparece em outra categoria das estatísticas. A entidade também aponta que o estado possui menos empresas agropecuárias formalizadas em comparação com os setores de comércio, serviços e indústria.
“Portanto, o percentual de 1,5% não deve ser interpretado isoladamente como medida de todo o acesso do campo ao crédito, mas como indicador da presença ainda limitada da agropecuária empresarial formal na carteira de pessoas jurídicas”, afirma a Faern, em nota.
Os números de junho mostram uma carteira fortemente concentrada nas famílias e, entre as empresas, nos setores de serviços e indústria. Com alta de 10,8% em 12 meses, o crédito potiguar avançou acima do resultado brasileiro, mas ficou 0,7 ponto percentual abaixo da média nordestina.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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