Economia
20/04/2026
Empresas de energia renovável avaliam reduzir a presença no Nordeste — hoje principal polo eólico e solar do país — e redirecionar investimentos para outras regiões. A estimativa do setor é de até R$ 38,8 bilhões em projetos suspensos entre 2025 e 2026.
A mudança de rota é atribuída a um conjunto de fatores: demanda por energia em ritmo lento, cortes forçados na geração (curtailment) e aumento recente dos custos operacionais, impulsionado pelo fim de incentivos fiscais e por novas exigências regulatórias.
No governo federal, a avaliação é de que os subsídios que impulsionaram o setor no passado já não se justificam. Com a expansão das fontes renováveis na matriz energética, a ideia é reequilibrar a política tributária para evitar distorções e impacto na conta de luz.
Sem resposta do Ministério de Minas e Energia, o setor contabiliza perdas. Em 2025, 141 usinas devolveram outorgas, somando R$ 18,9 bilhões. Outros R$ 5,9 bilhões deixaram de ser investidos em energia solar, segundo a Absolar. Já a Abeólica aponta cerca de R$ 14 bilhões em projetos eólicos suspensos.
“A crise se agravou a partir de 2023. O Nordeste, que concentra mais de 95% dos investimentos, está sofrendo. Já há fábricas fechando e demitindo”, afirma Elbia Gannoum, presidente da associação.
Empresas como a Casa dos Ventos admitem rever planos e ampliar projetos em estados como Mato Grosso do Sul e Rio Grande do Sul, mais próximos dos centros consumidores, apesar de menor potencial climático.
Parte da pressão vem de mudanças regulatórias. A Medida Provisória 1304 condicionou benefícios fiscais do Reidi à integração com sistemas de armazenamento, o que, segundo entidades, restringe investimentos. Outro ponto crítico é o repasse dos custos da chamada “reserva de capacidade” para novos empreendimentos, encarecendo projetos.
Há ainda impacto de resoluções da Aneel que aumentaram tarifas de uso da rede para usinas distantes dos grandes centros, penalizando especialmente Norte e Nordeste. A agência afirma que as regras foram debatidas por anos e aplicadas com previsibilidade.
Enquanto isso, o curtailment segue como gargalo: o país desperdiça hoje energia equivalente à produção de uma usina de Belo Monte. A solução mais apontada é o armazenamento em baterias — cujo leilão ainda não saiu do papel.
No Congresso, tramita proposta para rever parte das regras. O setor também aposta na instalação de data centers como vetor de demanda, embora projetos ainda dependam de um marco nacional, travado no Legislativo.
Sem solução no curto prazo, o risco, segundo empresários, é perder investimentos em um momento estratégico da transição energética.
é um jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UNP, atuou em vários veículos importantes locais e nacionais (Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e rádios 96 FM, 98 FM e 91.9 FM). Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN. Foi coordenador de comunicação da Potigas, e assessor da presidência da Petrobras.
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