Economia
28/07/2026
O Rio Grande do Norte passa por momentos delicados na gestão de suas matrizes energéticas limpas. Entre janeiro e julho, quase 24% da capacidade eólica e solar potiguar acabou ceifada por interrupções ordenadas pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
Os detalhes deste cenário vieram à tona durante entrevista concedida por Darlan Santos, diretor-presidente do Centro de Estratégias em Recursos Naturais e Energia (CERNE), ao programa Contraponto, da Rádio 96 FM, nesta terça-feira (28). O executivo alertou sobre as perdas acumuladas no setor.
"Até o final do ano passado, fechando aí 2025, o fechamento é sempre anual, já tinha em torno de 5 a 6 bilhões de reais", revelou Darlan Santos ao mensurar os estragos econômicos das interrupções de geração no Estado.
As limitações de escoamento pela rede de transmissão forçam o desligamento das turbinas e causam estragos no fluxo financeiro das companhias. Essa instabilidade gera desistência em novos investimentos e devolução de autorizações de construção.
"A gente teve mês aqui de parque ficar quase 80% do tempo desligado", relatou o especialista. A escassez de infraestrutura afeta diretamente a arrecadação de impostos e a criação de vagas de trabalho locais.
Para solucionar o gargalo, o CERNE defende usar a energia excedente no próprio Nordeste. A estratégia foca na atração de indústrias eletrointensivas e na implantação de infraestruturas de tecnologia na região do Brasil Equatorial.
"Se eu começo a consumir essa energia aqui na região, eu não preciso mais escoar tanto", explicou o executivo sobre o consumo local para processamento de dados. Ele ressaltou que já existem tecnologias de resfriamento que evitam o consumo de água do semiárido.
Sobre as medidas de socorro do Ministério de Minas e Energia (MME), Darlan Santos apontou falhas nos acordos propostos para compensar as perdas. A exigência de renúncia a questionamentos judiciais cria um ambiente desfavorável para os investidores.
"A gente acha que é uma medida importante, é um sinal pelo menos de que as empresas podem ser ressarcidas em parte. Mas ela não resolve o problema", ponderou o presidente da entidade.
Por outro lado, o setor projeta um reaquecimento com o processo de modernização e substituição de equipamentos antigos, conhecido como retrofit.
"A gente continua com a nossa galinha dos ovos de ouro? Continuamos. O Rio Grande do Norte se reconheceu como um estado produtor de energia, mas eu acho que a gente tem cuidado mal dessa galinha. Na nossa visão está faltando um apoio mais contundente do governo", concluiu Santos.
Confira o vídeo:
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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