Segurança Pública
26/05/2026
O Rio Grande do Norte registrou 809 homicídios, alcançando a menor taxa de mortes violentas de sua série histórica recente. Os dados constam no Atlas da Violência 2026, divulgado hoje (26).
O estudo é fruto de uma parceria entre o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e o FBSP (Fórum Brasileiro de Segurança Pública). O índice potiguar ficou em 23,5 mortes para cada 100 mil habitantes.
A queda acumulada entre 2014 e 2024 atingiu expressivos 51,6% na taxa estadual. Esse desempenho coloca o território potiguar entre os cinco estados com maior redução proporcional do país.
No recorte dos últimos cinco anos, o recuo foi de 40,8%. O estado garantiu a medalha de bronze nacional nesse quesito, atrás apenas de Goiás e do DF (Distrito Federal).
Natal surge soberana como a capital brasileira com a maior redução histórica de assassinatos. A queda na Cidade do Sol bateu 64,2% no confronto da última década.
Contudo, nem tudo são flores na segurança pública do estado. O sistema de saúde ainda lida com uma enxurrada de internações causadas por tentativas de homicídio.
O estado amarga a segunda maior taxa de hospitalizações por agressões graves do país, tanto para homens quanto para mulheres. O Rio Grande do Norte só perde para o Pará nesse ranking indigesto.
O uso de armas de fogo também continua acendendo o sinal vermelho. Elas foram usadas em 78,6% dos assassinatos e a proporção segue estagnada no topo nacional há quatro anos.
Para complicar o cenário, as prisões potiguares operam superlotadas. A taxa de encarceramento subiu 15,5% em relação ao ano anterior, superando a média nacional.
No cenário das mulheres, o estado contabilizou 40 assassinatos, um recuo de 7%. Especialistas ponderam que a subnotificação de casos pode mascarar a realidade do feminicídio.
Os pesquisadores alertam ainda para a existência de homicídios ocultos em todo o país. Muitas ocorrências entram nos registros como MVCI (Mortes Violentas por Causa Indeterminada) por falta de elucidação nas investigações.
No Brasil inteiro, o total de homicídios recuou 7,4%, somando 42.590 ocorrências. Apesar da melhora geral, a violência sexual contra crianças e a letalidade contra mulheres negras persistem em patamares alarmantes.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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