Economia
26/05/2026
A indústria do Rio Grande do Norte expandiu sua participação na economia local de forma expressiva nos últimos tempos. O setor viu sua fatia no PIB (Produto Interno Bruto) saltar de 20,7% para 23,36%, atingindo o patamar de R$ 21 bilhões.
Os dados são do Atlas da Indústria Potiguar, produzido pelo Observatório da Indústria Mais RN. Esse núcleo integra a estrutura de inteligência da Fiern (Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte).
O avanço mostra que a produção industrial cresce em ritmo mais veloz que a economia estadual como um todo. Além disso, a área responde por impressionantes 68% de tudo o que o estado exporta.
O presidente da entidade aponta a relevância do segmento na rotina da população brasileira.
“A indústria está presente no nosso dia a dia. No café, na roupa que vestimos, no automóvel que andamos. Ela cria, transforma e movimenta nossa rotina”, destaca Roberto Serquiz, presidente da Fiern. “O setor tem crescido nos últimos anos e tem sido um fator muito importante também no comércio exterior do Rio Grande do Norte, correspondendo a 68% das nossas exportações”, acrescenta.
No primeiro quadrimestre de 2026, as exportações industriais somaram US$ 773 milhões. A pauta de vendas internacionais inclui desde petróleo e mineração até pescados e doces.
O mercado de trabalho também exibe fôlego renovado, superando os 130 mil vínculos formais. Os salários no setor chamam a atenção por pagar, em média, R$ 2.630.
O analista Pedro Albuquerque explicou os impactos desse rendimento no comércio e nos serviços de forma direta.
“Esse patamar salarial injeta na economia do estado uma massa salarial estimada em R$ 4,4 bilhões, com efeitos multiplicadores sobre o comércio, os serviços e o consumo das famílias.”
A quantidade de fábricas ativas no território potiguar deu um salto de 11.600 para 13.700 unidades. Essa expansão de quase 18% confirma a chegada de novos empreendimentos ao mapa produtivo local.
O otimismo também voltou a embalar os negócios regionais neste semestre. O ICEI (Índice de Confiança do Empresário Industrial) potiguar marcou 55,6 pontos, registrando o melhor patamar desde o fim de 2024.
Apesar dos bons ventos, os produtores cobram ajustes burocráticos para destravar novas rodadas de aportes. O foco principal das discussões com o governo estadual se concentra na atualização das regras ambientais.
Roberto Serquiz aponta a defasagem das normas atuais como o principal entrave para o desenvolvimento.
“O grande gargalo atual é o licenciamento, mas temos discutido esse tema, que parece estar em uma reta final para envio da atualização da Lei do Licenciamento Ambiental. A norma é de 2004 e não abrange os potenciais produtivos que temos hoje”, afirma Serquiz.
“Precisamos que seja mais ágil e mais célere, para que quem já investe no estado possa ampliar a atuação, como também atrair investimentos para nosso estado”, acrescenta o presidente.
No cenário nacional, o segmento sustenta 11,8 milhões de trabalhadores e representa 23,4% do PIB do país. Segundo a CNI (Confederação Nacional da Indústria), cada real produzido no setor gera R$ 2,44 para a economia brasileira.
O presidente da CNI, Ricardo Alban, comenta que “não existe país forte nem economia forte sem uma indústria forte.”
“O setor industrial se mostra imprescindível para o país superar obstáculos e buscar o caminho do crescimento. A indústria manufatureira é a responsável por desenvolver e disseminar tecnologia no país e pelos maiores investimentos e salários”, completa Alban.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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