Política
03/11/2026
O comandante do Exército, general Tomás Miguel Ribeiro Paiva, saiu fortalecido da crise envolvendo a tentativa de golpe de Estado e poderá permanecer no cargo durante o novo mandato do presidente Lula. Sua atuação em defesa da legalidade e de oficiais atacados pelo bolsonarismo consolidou sua posição no Alto Comando.
Um episódio marcante ocorreu em abril de 2024, durante audiência na Câmara dos Deputados. Ao ser confrontado pelo então deputado Marcel van Hattem (Novo-RS), que criticou a atuação do Exército diante dos envolvidos nos atos golpistas, Tomás respondeu com uma defesa contundente da ética militar.
“A gente tem vergonhas diferentes. A minha vergonha é quando alguém não cumpre a ética militar. Nunca falei uma mentira para minha tropa. Nunca mudei de opinião”, afirmou.
O comandante também defendeu o general Gustavo Henrique Dutra, responsável pela segurança do Quartel-General do Exército durante os acontecimentos de 8 e 9 de janeiro de 2023. Segundo Tomás, Dutra evitou um confronto sangrento ao impedir uma operação policial noturna contra os manifestantes acampados no local.
“Eu teria vergonha de não defender meu general”, declarou.
A posição de Tomás provocou ressentimentos entre aliados de Jair Bolsonaro, especialmente integrantes do grupo político instalado em Miami. Segundo relatos de militares, uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro poderia desencadear uma perseguição a oficiais considerados adversários do bolsonarismo.
A derrota de Flávio, sua saída para os Estados Unidos e a divulgação de uma carta contestando o resultado eleitoral reforçaram essas preocupações. Generais que acreditavam na moderação do senador passaram a questionar como ele se comportaria diante de crises institucionais.
Entre os possíveis alvos de retaliação estariam militares que resistiram à tentativa de golpe, incluindo o brigadeiro Carlos Baptista Júnior e o general Marco Antônio Freire Gomes, cujos depoimentos contribuíram para a condenação de Jair Bolsonaro.
Sucessão no comando
Superada a eleição, Lula deverá conversar com Tomás sobre o futuro comando do Exército. A permanência do general não está descartada, embora ele possa considerar encerrada sua missão de reconstruir a confiança institucional após a crise do governo Bolsonaro.
Caso decida deixar o posto, dois nomes aparecem como favoritos à sucessão: os generais Hertz Pires do Nascimento e Francisco Humberto Montenegro Júnior, atual chefe do Estado-Maior do Exército. O general Kleber Vasconcelos também é mencionado entre as alternativas.
Independentemente da decisão, Tomás deverá deixar como principal marca de sua gestão a defesa da hierarquia, da disciplina e da legalidade, em um período de forte pressão política sobre as Forças Armadas.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 96 FM Natal, 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras.
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