MPF recorre para impedir novas licenças na Via Costeira

Example news
Sandro Menezes/Governo do RN
Segundo o MPF, as áreas desocupadas da Via Costeira contribuem para reduzir os efeitos do avanço do mar.

Cidades

22/09/2026

O Ministério Público Federal (MPF) recorreu ao Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5) para impedir temporariamente novas licenças para empreendimentos e intervenções nas áreas desocupadas da Via Costeira, em Natal.

Em decisão liminar, a Justiça Federal no Rio Grande do Norte reconheceu a existência de risco ambiental concreto, mas manteve a possibilidade de análise individual dos pedidos de licenciamento.

O MPF argumenta que avaliar cada empreendimento isoladamente não substitui a definição de regras de proteção para toda a região. Segundo o órgão, intervenções autorizadas separadamente podem gerar impactos quando consideradas em conjunto.

No recurso, o MPF pede a suspensão total ou parcial de trechos do Plano Diretor de Natal, de uma instrução normativa e de leis estaduais e municipais que permitem intervenções na Via Costeira.

O órgão também quer suspender licenças concedidas pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) ou pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente (Idema) após 7 de março de 2022, data de entrada em vigor do atual Plano Diretor, exceto aquelas comprovadamente adequadas ao Código Florestal.

O pedido inclui ainda a proibição de novas licenças ou alvarás que desrespeitem regras aplicáveis às áreas de preservação e a fiscalização da região pelos órgãos ambientais responsáveis.

Parâmetros para toda a região

O MPF também solicita a definição de parâmetros ambientais e territoriais comuns para orientar os processos de licenciamento.

Em agosto, a Justiça Federal havia determinado que novos empreendimentos ou intervenções em áreas ainda não edificadas só poderiam avançar após análise ambiental individualizada.

Essa avaliação deve considerar a possível existência de áreas de preservação permanente e outros riscos ambientais. Obras já licenciadas regularmente, incluindo o empreendimento Costeira Parque, não foram suspensas.

Os documentos desses projetos deverão ser apresentados ao MPF, que terá 60 dias para analisá-los. A decisão também prevê participação dos órgãos municipais e avaliação de possíveis impactos sobre povos e comunidades tradicionais, com consulta prévia quando necessária.

Riscos apontados em laudos

Segundo o MPF, as áreas desocupadas da Via Costeira contribuem para reduzir os efeitos do avanço do mar. O órgão avalia que a ocupação desses espaços pode comprometer essa função e gerar necessidade futura de obras públicas de contenção ou de nova engorda da praia.

Laudos técnicos da perícia do MPF apontaram riscos relacionados à erosão costeira, déficit de sedimentos, alteração da drenagem, impermeabilização do solo e instabilidade de terrenos sedimentares.

Os estudos também indicaram possível redução da capacidade natural de adaptação da faixa costeira às mudanças ambientais.

Diogenes dantas ao centro da imagem vestido de terno preto, ele sorri.

Diógenes Dantas

é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.

ver mais

VÍDEOS

Enviar email

Cadastre-se

Receba notícias exclusivas