Economia
21/05/2026
Currais Novos virou a capital da ostentação mineral no Rio Grande do Norte. O município abocanhou 83,7% de toda a CFEM (Compensação Financeira pela Exploração Mineral) recolhida pelo Estado no primeiro quadrimestre.
De acordo com dados da ANM (Agência Nacional de Mineração) apurados pela Tribuna do Norte, a cidade faturou R$ 6,9 milhões. O montante total do território potiguar bateu R$ 8,3 milhões de janeiro a abril.
A dinheirama acumulada nesses quatro meses quase empata com todo o faturamento da cidade em 2025. O grande astro dessa engrenagem é o ouro, responsável por cravar R$ 6,6 milhões na receita local.
O tungstênio injetou outros R$ 299,8 mil na conta, enquanto o granito completou o bolo com R$ 34,2 mil. A performance financeira enche os olhos da gestão municipal.
O titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Currais Novos, David Narwith, celebrou a boa fase geológica. "Receber o maior volume de repasses do Rio Grande do Norte demonstra a relevância da atividade mineral local, a força do nosso potencial geológico e a confiança que as empresas têm depositado em nossa cidade", apontou à Tribuna do Norte.
O gestor explicou que os recursos dão fôlego para vitaminar os investimentos urbanos. “Nós entendemos que a mineração gera riqueza, emprego, movimenta a economia local e fortalece diversos setores”, completou.
Narwith ponderou que o próximo passo é criar um legado duradouro que sobreviva ao fim da exploração. A estratégia de transformar o bônus em algo definitivo ganhou eco entre analistas financeiros.
Sheyson Medeiros, especialista do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas), sugeriu a criação de um fundo soberano nos moldes árabes. “Vivemos um novo momento da nossa economia e esse momento pode ser muito positivo para o nosso futuro, especialmente se pensarmos esses recursos como uma espécie de poupança estratégica (fundo soberano), semelhante ao que fizeram países da Península Arábica e Nórdicos ao transformar riquezas naturais em investimentos estruturantes. Currais Novos tem a oportunidade de planejar o amanhã, diversificar sua economia, fortalecer o empreendedorismo, investir em inovação, qualificação profissional e preparar as próximas gerações para um novo ciclo de desenvolvimento que já chegou”, frisou.
O Sindminerais (Sindicato da Indústria da Extração de Metais Básicos e de Minerais Não Metálicos do Rio Grande do Norte) aponta dois motivos para o sucesso. O primeiro é a arrancada da mineradora Aura Minerals e o segundo é a febre do tungstênio.
Mário Tavares, presidente da entidade, explicou que a corrida armamentista internacional valorizou a xelita, fonte do tungstênio. “O mundo todo está correndo atrás do tungstênio. Com essa [constância] na produção e venda, temos um aumento espetacular na nossa mineração”, revelou.
Já a extração de ouro deve continuar acelerada e em franca expansão até o fim do ano. A mineradora firmou um pacto com o DNIT (Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes) para desviar um trecho da rodovia BR-226.
A manobra na pista vai destravar o acesso a novas reservas da Mina Borborema. O plano projeta extrair 1,5 milhão de onças do metal precioso nas próximas duas décadas.
No resto do Estado, Parnamirim garantiu a segunda posição do ranking com R$ 301.119 arrecadados. Baraúna faturou R$ 201.458 e João Câmara fechou o pelotão de frente com R$ 109.427.
A Sedec (Secretaria de Desenvolvimento Econômico do Estado do Rio Grande do Norte) foi procurada para comentar a bonança. O órgão estadual não enviou respostas até o fechamento desta reportagem.
*Com informações da Tribuna doNorte.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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