Política
01/03/2026
Em reportagem publicada neste fim de semana, o jornal O Globo destaca que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) iniciou a divulgação de pontos do que deverá compor seu plano de governo na corrida presidencial. A estratégia, segundo o periódico carioca, busca ampliar o eleitorado para além da base bolsonarista, mas já enfrenta questionamentos de economistas e interlocutores do mercado.
Entre as propostas apresentadas estão a redução de impostos, corte de gastos, diminuição do número de ministérios, digitalização da máquina pública e a venda de até 95% das estatais — sem detalhamento sobre quais empresas seriam incluídas. O plano também prevê revisão da reforma tributária recém-aprovada e mudanças nas reformas trabalhista e previdenciária.
De acordo com O Globo, especialistas apontam “zonas de tensão” na simultaneidade dessas promessas, sobretudo pela ausência, até o momento, de uma âncora fiscal clara que sustente o equilíbrio das contas públicas. A combinação de corte de tributos com ampliação de privatizações é vista como teoricamente possível, mas depende de uma regra fiscal robusta que limite o crescimento das despesas.
A formulação do plano está sob a coordenação do senador Rogério Marinho (PL), que reúne economistas ligados ao antigo Ministério da Economia do governo Jair Bolsonaro, como Adolfo Sachsida e Gustavo Montezano.
Em entrevista ao jornal, Marinho defendeu o eixo central da proposta:
— Temos interesse em diminuir a carga tributária e tornar o governo muito mais funcional. O país vive um aumento geométrico da dívida pública e precisa de responsabilidade fiscal — afirmou. — Seremos o contraponto do que está aí. Respeito à propriedade privada e revisão de grandes reformas, como a trabalhista e a previdenciária, que foram descaracterizadas. Temos que promover uma reforma tributária real.
Ainda segundo O Globo, aliados do senador avaliam que o plano funciona como um “teste político” da candidatura, com o desafio de demonstrar viabilidade técnica e fiscal. A experiência recente com o teto de gastos, aprovado no governo Michel Temer, e o novo arcabouço fiscal apresentado por Fernando Haddad são citadas como exemplos de modelos que enfrentaram dificuldades de execução.
Especialistas ouvidos pelo jornal alertam que privatizações geram receitas extraordinárias, mas não recorrentes, o que pode comprometer o equilíbrio estrutural das contas caso não haja controle permanente das despesas.
Nos bastidores, a estratégia lembraria a campanha de 2018, quando o ex-ministro Paulo Guedes foi apresentado como fiador da agenda econômica. O Globo aponta que Guedes mantém interlocução com Flávio, mas seu retorno a um eventual governo é considerado improvável.
O desafio, agora, é transformar o discurso de ajuste fiscal e redução do tamanho do Estado em um programa detalhado capaz de convencer mercado, Congresso e eleitorado.
é um jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UNP, atuou em vários veículos importantes locais e nacionais (Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e rádios 96 FM, 98 FM e 91.9 FM). Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN. Foi coordenador de comunicação da Potigas, e assessor da presidência da Petrobras.
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