Justiça
28/05/2026
A PF (Polícia Federal) voltou atrás e decidiu reabrir os canais de conversa com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Os investigadores enviaram um ofício ao STF (Supremo Tribunal Federal) confirmando o interesse em reatar as negociações de delação premiada.
A reviravolta surge apenas uma semana após a polícia fechar a porta na cara do suspeito. No dia 20 de maio, a primeira oferta foi rejeitada por trazer apenas informações óbvias que os agentes já tinham em mãos.
Com o "não" inicial da polícia, Vorcaro correu para os braços da PGR (Procuradoria-Geral da República) para manter o plano vivo. O órgão entendeu que o diálogo não deveria morrer no primeiro round e continuou os debates.
O motivo de tanta insistência envolve uma dinheirama inacreditável. A expectativa é que o ex-banqueiro devolva até R$ 60 bilhões para compensar os desvios apurados.
No meio do turbilhão, a estratégia de defesa ganhou cara nova. O antigo advogado deixou o barco no dia 22 de maio e deu lugar a Sérgio Leonardo, amigo de juventude do réu.
Para ajudar a clarear as ideias, Vorcaro obteve autorização para retornar a uma cela especial na superintendência de Brasília. O ministro André Mendonça cedeu após alertas da procuradoria sobre riscos de intimidação de testemunhas em celas comuns.
A colher de chá, porém, não significa que o perdão está garantido. As exigências continuam duras porque o investigado é apontado como o líder do esquema criminoso.
Para fechar o pacto, ele precisará rastrear o dinheiro e indicar onde estão os valores escondidos. O cardápio de devolução deve incluir aviões e imóveis para abater o rombo do banco, que supera R$ 57 bilhões.
A batida de martelo final depende exclusivamente de André Mendonça no Supremo. Procurados para comentar o assunto, os novos defensores do ex-banqueiro preferiram o silêncio.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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