Economia
27/08/2026
O projeto do Porto-Indústria Verde do Rio Grande do Norte entrou na fase de estudos para definir sua viabilidade, engenharia e modelo de participação privada. Uma equipe do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) esteve em Caiçara do Norte nesta semana para iniciar os levantamentos.
Os estudos vão analisar aspectos econômicos, ambientais, jurídicos, de engenharia e infraestrutura. A primeira etapa tem prazo de 12 meses e deverá ser concluída até agosto de 2027, quando o projeto poderá seguir para consulta pública e apresentação a investidores.
O BNDES ficará responsável pela estruturação do modelo de negócios, que poderá envolver parceria público-privada, concessão ou outro formato. A proposta ainda dependerá dos resultados dos estudos e das avaliações sobre demanda, custos, receitas e sustentabilidade financeira.
“O projeto tem potencial enorme e encontramos no Governo do RN uma equipe capaz para nos conduzir. Estamos com toda nossa equipe aqui para iniciarmos, junto com o Governo do Estado, o projeto que vai criar o porto”, afirmou o superintendente Ian Guerriero.
A governadora Fátima Bezerra afirmou que o projeto começou a ser desenvolvido no primeiro mandato, em parceria com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), e posteriormente foi incluído no Novo Programa de Aceleração do Crescimento (PAC).
“A história do Porto-Indústria Verde no Rio Grande do Norte começou no início do nosso primeiro governo, junto com a UFRN. Incluímos no Novo PAC e agora começa a se concretizar”, disse a governadora.
“Não queremos só produzir commodities, mas sim que esse ativo seja transformado em riqueza, em indústrias, empregos e renda para nosso povo”, destacou a governadora.
Caiçara do Norte foi escolhida após análises de alternativas em outros municípios. A área fica a cerca de 160 quilômetros de Natal e foi selecionada a partir de critérios técnicos, econômicos e ambientais.
A proposta prevê uma estrutura voltada inicialmente à cadeia de energias renováveis, com suporte a parques eólicos offshore e atividades ligadas à produção, armazenamento e movimentação de hidrogênio verde, e-metanol e combustível sustentável de aviação.
O projeto também prevê um distrito industrial associado ao porto, com espaço para fabricantes de equipamentos, fornecedores de serviços e empresas consumidoras de energia. Mineração, economia do mar e logística industrial também estão entre as atividades consideradas.
“O RN já produz energia renovável. Agora, precisa utilizar essa energia para crescer e gerar emprego e renda”, afirmou o secretário estadual do Planejamento, Alexandre Lima.
Estimativas preliminares apontam investimentos de cerca de R$ 6,8 bilhões, distribuídos em três fases. A primeira prevê obras marítimas, dragagem do canal de acesso, cais e áreas operacionais, mas os valores ainda serão revisados pelos estudos.
O Sebrae também acompanha a iniciativa para identificar oportunidades para pequenos negócios no fornecimento de produtos e serviços durante a implantação e a operação do complexo.
A construção ainda depende de uma série de etapas técnicas e administrativas. Entre elas estão os estudos de demanda, custos, competitividade logística, receitas e divisão de responsabilidades entre o Estado e o futuro parceiro privado.
O licenciamento ambiental também será fundamental, especialmente pela localização no litoral. Os estudos deverão considerar ecossistemas, atividade pesqueira, ocupação territorial e possíveis efeitos sobre Caiçara do Norte e municípios vizinhos.
A estratégia inclui ainda a realização de consulta pública e audiências antes da definição do contrato e da eventual seleção de investidores. A primeira etapa dos estudos, prevista para agosto de 2027, deverá indicar se o Porto-Indústria Verde tem condições técnicas e econômicas para sair do papel.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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