Presidenciáveis pressionam Lula por posicionamento sobre decisão dos EUA contra facções

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Reprodução/Redes Sociais
Presidenciáveis apoiam decisão americana de reconhecer facções criminosas brasileiras como grupos terroristas.

Política

29/05/2026

O governo dos Estados Unidos anunciou que vai classificar as facções brasileiras PCC (Primeiro Comando da Capital) e CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas. A medida internacional entra em vigor no dia 5 de junho.

A decisão partiu do Departamento de Estado norte-americano. O comunicado oficial acabou assinado pelo secretário de Estado do país, Marco Rubio.

O anúncio mexeu direto com o cenário eleitoral brasileiro. Os principais pré-candidatos à Presidência da República usaram as redes sociais para fustigar o atual governo.

Até o momento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o Itamaraty não emitiram opinião oficial. Interlocutores governistas admitem reservadamente o nó diplomático para reagir sem parecer que defendem criminosos.

A estratégia do Palácio do Planalto deve focar na retórica da soberania nacional. Enquanto isso, a oposição aproveita o vácuo para faturar politicamente.

O senador Flávio Bolsonaro (PL) comemorou a sanção da Casa Branca com um "Grande dia". O parlamentar viajou aos Estados Unidos nesta semana e garantiu ter trabalhado pelos bastidores da medida.

O ex-governador mineiro Romeu Zema (NOVO) endossou o discurso do aliado e rechaçou riscos à soberania. "Quem ameaça a nossa soberania é exatamente o PCC e o Comando Vermelho. Eles dominam territórios dentro do Brasil. Lá, quem manda são eles, não o governo. Nossa soberania não está ameaçada, ela está roubada. E o Lula nunca fez nada a respeito. Pelo contrário, só passa pano para bandido", disparou.

Zema elogiou o apoio externo no combate ao crime organizado. "A colaboração [dos EUA] é muito bem-vinda e o Flávio foi capaz de fazer aquilo que o Lula já deveria ter feito há muito tempo", emendou.

O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) considerou a postura americana como um soco no estômago do petista. Ele disse que adotaria a mesma classificação se estivesse na cadeira presidencial.

Para o político goiano, o ato expõe falhas graves na segurança pública federal. “É o atestado que faltava para confirmar que o Lula sempre os protegeu. O mundo e os brasileiros os reconhecem como terroristas e o Lula os classifica como vítimas dos usuários. Desmoralizante para o Lula. Já deu”, criticou Caiado.

A pressão da oposição mira nos números das pesquisas de intenção de voto. Segundo o Instituto Datafolha, Lula lidera um eventual segundo turno contra Flávio Bolsonaro por 47% a 43%.

O atual mandatário também aparece na frente nos cenários simulados contra os outros dois rivais. O petista alcança 48% das preferências contra 39% de Zema e Caiado.

Do lado de lá do hemisfério, o texto da gestão de Donald Trump justifica o cerco pesado. O documento classifica os grupos como "Terroristas Globais Especialmente Designados" pela alta periculosidade.

A diplomacia americana rotulou as duas facções como as mais violentas do território brasileiro. "O CV e o PCC são duas das organizações criminosas mais violentas do Brasil. Juntos, comandam milhares de membros e orquestraram ataques brutais contra policiais, autoridades públicas e civis brasileiros", diz o texto.

A meta do governo estrangeiro envolve cortar o fluxo financeiro que abastece os grupos na América Latina. O plano engloba o bloqueio de ativos e o sufocamento de rotas do tráfico de entorpecentes.

O comunicado reafirma o foco em vigiar as fronteiras contra a entrada de substâncias ilícitas. "A ação tomada hoje pelo Departamento de Estado demonstra ainda mais o compromisso inabalável do governo Trump em desmantelar cartéis e organizações criminosas em nossa região e garantir a segurança do povo americano", finaliza a nota.

Diogenes dantas ao centro da imagem vestido de terno preto, ele sorri.

Diógenes Dantas

é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.

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