Economia
03/07/2026
O bolso do potiguar trabalhou dobrado nos primeiros seis meses deste ano. O Rio Grande do Norte recolheu R$ 14,64 bilhões em tributos federais, estaduais e municipais no primeiro semestre.
A dinheirama representa uma expansão de 3,44% na comparação com o mesmo período do ano passado. O avanço injetou mais R$ 490 milhões nos cofres públicos, segundo dados do Impostômetro da ACSP (Associação Comercial de São Paulo).
No cenário nacional, o bolo arrecadado pelo estado equivale a uma fatia de 0,64% de tudo o que foi cobrado no país. No total geral, o Brasil engoliu a impressionante marca de R$ 2,03 trilhões em taxas e contribuições.
Apesar dos bilhões somados, os potiguares aparecem na rabeira do Nordeste, ocupando o terceiro menor posto de arrecadação regional. O estado superou apenas os vizinhos Alagoas e Piauí no ranking de arrecadação absoluta.
A liderança de recolhimento na região ficou com Sergipe, Bahia e Pernambuco. O economista Helder Cavalcanti pondera que o resultado decorre da maior circulação de dinheiro e do encarecimento de produtos e serviços.
“É preciso observar se esse aumento supera a inflação, se foi acompanhado pela geração de empregos, expansão da renda e crescimento da produção. Uma arrecadação saudável é aquela impulsionada pelo desenvolvimento econômico, e não apenas pelo aumento dos preços ou da carga tributária efetiva”, destaca o economista, à Tribuna do Norte.
O especialista esclarece que a posição potiguar na tabela reflete o tamanho mais modesto da economia local. Estar atrás de estados maiores não significa que o cidadão pague menos impostos em suas compras diárias.
“O Rio Grande do Norte possui uma economia menor que estados como Bahia, Pernambuco e Ceará, o que naturalmente reduz sua arrecadação absoluta. Portanto, um valor menor arrecadado não significa que a carga tributária seja baixa, assim como um valor elevado não significa, por si só, que os impostos sejam excessivos”, destaca.
O relatório trouxe ainda dados amargos da 15ª edição do IRBE (Índice de Retorno ao Bem-Estar da Sociedade). O estudo aponta o Brasil como a nação que entrega o pior retorno populacional entre os 30 países com maior carga tributária global.
“No Rio Grande do Norte, essa sensação também está presente. Apesar do esforço tributário da população e das empresas, ainda persistem desafios relevantes em áreas como saúde, segurança, infraestrutura, mobilidade urbana e educação. Isso faz com que muitas famílias precisem recorrer a serviços privados, como planos de saúde, escolas particulares e segurança privada”, destaca o economista.
O especialista conclui lembrando que a aceitação do imposto pelo contribuinte depende diretamente de ver melhorias nas ruas. Para ele, o sucesso real mora na entrega de qualidade de vida, e não no tamanho do cofre governamental.
“O verdadeiro indicador de eficiência não é quanto o governo arrecada, mas quanto consegue devolver em benefícios concretos para a sociedade”, afirma.
*Com informações da Tribuna do Norte.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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