Economia
23/07/2026
O Rio Grande do Norte ostenta a pior marca do Nordeste em desperdício de energia limpa em 2026. Entre janeiro e 20 de julho, o estado perdeu 23,2% de sua produção eólica e solar por conta das travas do ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).
Os cortes, conhecidos no setor como curtailment, ocorrem para conter a sobreoferta de energia e desviar de gargalos nas linhas de transmissão. A marca potiguar supera com folga a média nacional, que fechou o período em 19,1%.
A tesoura do sistema cortou 951 MW médios do potencial potiguar de 4.091 MW médios. As eólicas locais sofreram o maior baque (23,9%), enquanto a produção solar teve redução de 19,2%.
A situação local destoa do cenário brasileiro, onde os parques solares lideram a tesourada (23%), seguidos pelas eólicas (17,5%). No ranking nordestino, o RN lidera as perdas, seguido por Ceará (22,3%) e Bahia (19,6%).
Lideranças do setor classificam a conjuntura como crítica e alertam para prejuízos pesados. Sérgio Azevedo, da Fiern (Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte), aponta "perda de receita, redução da arrecadação, paralisação de investimentos e ameaça direta à cadeia".
Williman Oliveira, da Aper (Associação Potiguar de Energias Renováveis), reforça que descartar energia limpa trava o desenvolvimento do estado. Na mesma linha, Rodrigo Mello, do Senai (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial do Rio Grande do Norte), adverte que a incerteza afugenta novos parques.
Em resposta, o ONS justificou que as travas são um desafio comum em países com forte presença de renováveis. O órgão aposta no fortalecimento da rede de transmissão, em baterias e na atração de data centers para absorver os excedentes.
O MME (Ministério de Minas e Energia) tenta remediar a crise com portarias para indenizar prejuízos passados das geradoras. A pasta também confirmou leilões de reserva de capacidade com armazenamento em baterias para dezembro deste ano.
*Com informações da TN.
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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