Justiça
24/03/2026
A comissão criada pelo presidente do STF, Luiz Edson Fachin, para discutir a regulação dos chamados “penduricalhos” estima que os gastos acima do teto constitucional na magistratura se aproximam de R$ 9,8 bilhões.
Dados do Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) apontam ainda R$ 7,2 bilhões em despesas com parcelas que excedem o subsídio no Ministério Público.
Para conter a escalada desses valores, o grupo sugere vincular tais verbas às regras do Imposto de Renda, restringindo brechas hoje exploradas por classificações como “indenizatórias”.
Em 2025, a remuneração média bruta de magistrados chegou a R$ 95.968,21, segundo o CNJ — bem acima do teto constitucional anualizado, estimado em R$ 52.805,94.
O relatório foi encaminhado aos ministros do STF ontem (23) e servirá de base para o julgamento previsto para amanhã (25). O documento ressalta que, embora os dados não sejam totalmente auditados, é possível estimar o impacto bilionário das verbas acima do teto.
A comissão, formada por 20 integrantes de diferentes instituições, aponta que a falta de critérios claros para atualização do teto alimenta conflitos distributivos e pressões recorrentes por reajustes.
O grupo também alerta que qualquer regra de transição pode elevar ainda mais os custos: cada ponto percentual acima do teto representaria cerca de R$ 97,9 milhões adicionais apenas para a magistratura.
Um dos focos centrais do debate é a distinção entre verbas indenizatórias e remuneratórias. Pela proposta, valores que representem acréscimo patrimonial deveriam ser tratados como remuneração — e, portanto, submetidos ao teto e à tributação.
Sobre a defasagem salarial, a comissão reconhece perdas inflacionárias, mas pondera que a correção integral pelo IPCA elevaria o teto para até R$ 71,5 mil, o que não seria compatível com a atual capacidade fiscal do Estado.
A conclusão é direta: qualquer ajuste precisa considerar não apenas a inflação, mas também os limites do orçamento público.
é um jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UNP, atuou em vários veículos importantes locais e nacionais (Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e rádios 96 FM, 98 FM e 91.9 FM). Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN. Foi coordenador de comunicação da Potigas, e assessor da presidência da Petrobras.
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