Cidades
21/07/2026
Os vetos do presidente da República às fontes de financiamento do Marco Legal do Transporte Público Coletivo vão pesar diretamente no bolso dos passageiros. A avaliação é de Eudo Laranjeiras, presidente da Fetronor (Federação das Empresas de Transporte de Passageiros do Nordeste), em entrevista ao programa Contraponto, da rádio 96 FM, nesta terça-feira (21).
Para o dirigente, a decisão governamental errou o alvo ao cortar mecanismos cruciais de custeio. "Acho que houve uma falha de comunicação entre o governo", afirmou Eudo durante a conversa.
A sanção da Lei nº 15.432/2026 trouxe avanço com a segurança jurídica e a separação clara entre a tarifa paga pelo passageiro e a remuneração da operação. "A gente hoje tem um norte", reconheceu o dirigente setorial.
No entanto, a tesourada nas receitas extratarifárias inviabiliza a redução das passagens e a modernização dos veículos. Entre os pontos limados estão o uso de créditos de carbono e o repasse de 60% da CIDE (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico) Combustíveis para áreas urbanas.
A obrigatoriedade de compensação financeira por gratuidades sociais, como para PCD (Pessoa com Deficiência) e estudantes, também acabou descartada. Sem a verba dos créditos ambientais, a migração para ônibus elétricos fica travada no país.
A conta é simples: um veículo limpo custa R$ 3 milhões, o triplo de um modelo tradicional a diesel. "Ele é raro na conta, porque o usuário é eleitor também", cravou o presidente da entidade.
Ele ressaltou que o custo dos benefícios sem fonte de custeio definida cairá inevitavelmente sobre o passageiro comum. No Rio Grande do Norte, o cenário do transporte intermunicipal reflete décadas de perda de passageiros.
O sistema estadual encolheu de 420 ônibus para escassos 120 veículos em circulação nas últimas duas décadas. Além disso, o número de empresas operadoras despencou de 12 para apenas quatro no estado.
A proliferação do transporte clandestino e o avanço das motos de aplicativo sufocaram as operadoras regulares. Para reagir à crise, a entidade prepara um documento com reivindicações para entregar aos candidatos ao governo estadual.
A principal demanda envolve a criação de um órgão gestor específico para o setor, retirando a pauta do DER (Departamento de Estradas de Rodagem). A pressão no caixa das empresas ganha contornos ainda mais dramáticos com a disparada no preço do diesel, inflacionado por conflitos no Oriente Médio.
O combustível representa o segundo maior custo operacional das empresas, atrás apenas da folha de pagamento dos motoristas. Apesar do cenário adverso, Laranjeiras aposta que o Congresso Nacional pode reverter os vetos após o recesso eleitoral.
"A gente não entendeu ainda que o serviço é público", arrematou o líder empresarial.
Confira o vídeo:
é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.
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