Bola na trave não altera o placar

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Quando a bola parar de rolar nos gramados, muita coisa já terá sido decidida nos vestiários da política.

Política

12/06/2026

A Copa do Mundo da Fifa 2026 já começou. E, como acontece de quatro em quatro anos, o futebol volta a ocupar parte das conversas, das atenções e até das emoções do brasileiro. Amanhã, a seleção estreia contra o Marrocos. Nas ruas, nos grupos de WhatsApp e nos bares, o assunto tende a migrar — ainda que temporariamente — da política para a bola.

Mas, nos bastidores, o campeonato eleitoral segue em ritmo acelerado.

Até 19 de julho, quando termina o Mundial, os políticos terão uma espécie de “janela tática” para avançar em articulações longe dos holofotes do eleitorado. É nesse intervalo entre um jogo e outro que acordos serão costurados, alianças revisitadas e velhos conchavos colocados sobre a mesa.

No Rio Grande do Norte, a partida principal já está desenhada. Cadu Xavier, Álvaro Dias e Allyson Bezerra entram em campo como os protagonistas da sucessão estadual.

A Copa antecede justamente o período das convenções partidárias, marcado entre 20 de julho e 5 de agosto. Ou seja: quando a bola parar de rolar nos gramados, muita coisa já terá sido decidida nos vestiários da política.

E nenhum jogador é mais observado nesse momento do que Ezequiel Ferreira de Souza.

O PSDB de Ezequiel virou a bola mais disputada do tabuleiro eleitoral potiguar. O presidente da Assembleia pode alinhar o partido ao palanque da governadora Fátima Bezerra, que tem Cadu Xavier como pré-candidato, ou seguir para o campo do PL, liderado por Rogério Marinho e que tem Álvaro Dias na disputa pelo governo.

É o grande enigma da pré-campanha.

Enquanto o torcedor acompanha escalações, tabelas e favoritos ao título mundial, a política potiguar joga sua própria Copa — silenciosa, estratégica e cheia de prorrogação.

Ezequiel sabe disso. Experiente, joga olhando o relógio, ocupando espaços e deixando o adversário correr.

A pergunta que permanece é: qual será a grande jogada de Ezequiel durante a Copa do Mundo?
Bola na trave não altera o placar. Não adianta chamar o VAR.

Diogenes dantas ao centro da imagem vestido de terno preto, ele sorri.

Diógenes Dantas

é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.

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