Reequilíbrio distante

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Blog do Diógenes
Tomba Farias, deputado estadual e líder da oposição na Assembleia Legislativa.

Política

16/06/2026

As declarações do deputado Tomba Farias e do presidente da Fiern, Roberto Serquiz, convergem para um ponto que a política potiguar costuma evitar encarar de frente: o Rio Grande do Norte chegou a um estágio em que não existe mais solução confortável para o desequilíbrio fiscal do Estado.

O próximo governador herdará uma máquina pesada, um orçamento engessado e uma conta que já não fecha apenas com discurso, aumento de arrecadação ou medidas paliativas de fim de ano.

O problema deixou de ser conjuntural faz tempo. Tornou-se estrutural.

O Estado vive há anos preso a um ciclo perverso: arrecada quase tudo para pagar folha, aposentadorias e despesas obrigatórias, enquanto sobra cada vez menos para investimento, manutenção da estrutura pública e capacidade de reação econômica. Estradas se deterioram, hospitais operam no limite, escolas envelhecem e o governo segue dependente de transferências federais, emendas parlamentares e operações extraordinárias para sobreviver.

A crise previdenciária virou um ralo permanente do Tesouro. O déficit cresce em ritmo acelerado, consumindo recursos que poderiam estar em áreas essenciais. Ao mesmo tempo, o Estado segue pressionado pelos limites da Lei de Responsabilidade Fiscal, sem margem para financiamentos robustos com garantia da União.

É uma conta que sufoca o presente e sequestra o futuro.

Tomba tem razão ao dizer que o debate não pode ficar restrito ao Executivo. O problema fiscal do RN não será resolvido apenas pelo governador da vez, seja ele quem for. Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça, Ministério Público, Tribunal de Contas e demais órgãos com autonomia financeira terão de participar da discussão — inclusive aceitando rever despesas, estruturas e privilégios.

Esse talvez seja justamente o maior desafio.

No discurso, quase todos defendem responsabilidade fiscal. Na prática, poucos aceitam abrir mão de orçamento, vantagens ou expansão administrativa.

O pacto defendido agora parece racional. O difícil é transformá-lo em realidade política.

Porque qualquer reorganização séria exigirá medidas impopulares, desgaste institucional e disposição para enfrentar interesses consolidados há décadas.

E é exatamente aí que a conversa costuma parar.

Diogenes dantas ao centro da imagem vestido de terno preto, ele sorri.

Diógenes Dantas

é jornalista e radialista do Rio Grande do Norte, com mais de 40 anos de carreira. Formado em Comunicação Social pela UFRN e em Direito pela UnP, atuou em diversos veículos locais e nacionais, como Tribuna do Norte, Diário de Natal, TV Globo, TV Record Brasília, SBT, Band e nas rádios 98 FM, 91,9 FM e 103,9 FM. Foi diretor-geral da TV Assembleia Legislativa do RN, coordenador de Comunicação da Potigás e assessor da Presidência da Petrobras. Atualmente, assina coluna política no jornal Agora RN e edita e apresenta o programa Contraponto, na rádio 96 FM.

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